Cheguei para trás em um tropeço, segurando Artie para não cair. Então percebi, por trás do cérebro enevoado, preenchido pelo puro álcool, destruindo qualquer sentido racional complexo, ou, no caso, pudor, percebi. Que eu tinha feito mais uma vez, os estragos que apenas uma loira burra - ou, no caso, eu, - poderia fazer. Bem diante, estava a mulher que eu amo. Os pingos de suor caindo pelas têmporas e músculos trêmulos de raiva, a conhecida posição de ataque, o mesmo brilho negro que eu via em seus olhos a cada briga, a cada insulto que ela jogava, estava ali. Mas por trás de água, por trás de um rosto inseguro. E era culpa minha, como todas as vezes, era culpa minha. Era como se a minha eu bêbada fosse minha nova eu sóbria, pois conseguia entender tudo que estava acontecendo, cada detalhe da expressão de cada um dos presentes, e mesmo assim me perder em minha própria cabeça.
Santana se soltou dos braços de Sebastian, virando o rosto, se recusando a olhar para Rory. Seus olhos encontraram os meus, marejados, tanto os dela como os meus, em um grito de horror e desespero que ninguém mais poderia ouvir. Apenas eu. Aquele grito ficava perfurando meu cérebro, sentia como se alguém quisesse arrancar meu coração com as próprias mãos. O grito de dor que seus olhos transmitiam faziam as lágrimas silênciosas cairem por minhas bochechas geladas de pânico. Com os punhos cerrados, ela deu alguns passos até mim. Abri a boca, pronta para usar qualquer tipo de desculpa, qualquer perdão para implorar uma cota de piedade que fosse. Mas antes que qualquer som saísse de minha boca, fui interrompida por um punho.
Era como se tudo tivesse se silenciado. Teria pensado que estava desmaiada, se ainda não sentisse o peso de meu corpo sustentado por minhas pernas trêmulas. A sensação dos ossos das sua pequena e bruta mão, colidindo com violência contra minha bochecha, fazendo meus dentes cortarem a sua fina carne, ficava se repetindo em minha mente, enquanto sentia o sangue fino e ainda que pouco, escorrendo dentro de minha boca, o gosto de ferro me fazendo pensar.
Ela nunca tinha levantado um dedo para mim. Qualquer toque seus jamais fora violento na minha direção direção, sempre foram dedos carinhosos, entre risos de uma manhã de domingo preguiçosa. Mas, dessa primeira vez, pude entender a dor e pânico nos olhos das pessoas que saiam com os olhos roxos, sangue descendo pelo nariz, após se meter com Santana Lopez. Era puro medo, da dor pura que seu corpo pequeno poderia fazer. A dor que seus músculos contraídos poderiam te causar, a força com a qual seus punhos - ou deboches - podia perfurar uma pessoa, e a fazer se arrepender de ter nascido.
Mas não eu. A surpresa, o primeiro momento que jamais pude sentir sua força e violência contra mim mesma, dessa maneira, fez o sangue em minhas veias borbulhar, e correr mais rápido. Eu merecia, e merecia mais. E não estava com medo, eu estava satisfeita por ela ter me dado o que eu merecia, um tapa, um soco com toda a sua força.
Mal percebi que tinham-se passados minutos, todo o lugar em silêncio, olhando nosso próximo passo. Levantei a cabeça, e me foquei em seus olhos escuros, ainda com a expressão de horror, o grito perfurando meu cérebro com gosto. Mal percebi que tinham se passado esse minutos em puro silêncio, quando minha voz rouca e dura, falou, olhando-a diretamente nos olhos:
- De novo - e seu punho se levantou em minha direção.
Sebastian me segurava com força e eu não conseguia presta atenção em nenhuma palavra que Rory dizia. Dei um jeito de me soltar e ir em direção a Brittany, eu iria me arrepender tanto, mas era exatamente o que eu queria fazer. Acabei socando o rosto dela e no exato momento me arrependi. Ela ficou parada que nem uma tonta, mas não tão tonta que nem eu que fui traída pela segunda vez. Ela pediu para eu socar-la novamente e eu não hesitei e a soquei novamente até sentir Sebastian me pegando pela mão e pedindo para eu vou parar “Ok” Assenti com a cabeça. Brittany pediu mais um soco e eu neguei com a cabeça “Não vou mais sujar minha mão com pouca bosta, tu eres una puta” Balancei a cabeça negativamente “Vamos beber, Sebastian”